Nos últimos tempos, volta e meia me vinha à mente um cineasta inicialmente talentoso e sua perda de rumo, Alejandro Amenábar. Pode ser difícil entender quando um cineasta de características notáveis se deixa levar pelo mar de putrefação da vida.
O que dizer de Wim Wenders? Nome essencial do Novo Cinema Alemão das décadas de 60 e 70, nosso amigo Wim foi descendo ladeira abaixo, atingindo resultados que podem chegar a ser realmente perturbadores. É o caso de seu mais recente trabalho, Tudo Vai Ficar Bem, em que um escritor deprimido atropela e mata uma criança, fato que marca sua vida e a do irmão do morto, também presente no ato.
Eu gosto do James Franco. Há quem não goste, mas é inegável que tem algumas belas interpretações, como a do traficante em Segurando as Pontas. É difícil entender por qual misterioso caminho Wenders guiou o ator, fato é que James está simplesmente terrível em diversos momentos. Aliás, nenhum dos bons atores do filme consegue entregar um trabalho digno de nota. Passando por cima disso, o roteiro do filme é constrangedor. O uso de passagens do tempo chega a ser divertido: dois anos depois, quatro anos depois, dois anos depois e por aí vai. E a condução de tudo... O que dizer do horrendo/constrangedor plano final do filme?
A câmera se movimenta bastante, sem necessidade, com muitos travellings para tudo quanto é lado. O uso do travelling de aproximação com zoom é repetido diversas vezes, sempre com resultados bastante questionáveis. A trilha sonora pontua cada emoção com a maior obviedade. Tudo soa como o trabalho de um sub-sub-diretor de filme de festival.
No fim das contas, mais uma lição do mundo: ele dá voltas, e amanhã nós podemos ser o mendigo que está dormindo na calçada, como já me praguejou uma moradora de rua, descontente com minha negativa às suas investidas.
Nunca me senti tão leiga... Como eu invejo os especialistas, principalmente os que escrevem bem.😊
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