sexta-feira, 15 de julho de 2016

Wim Wenders e Desaprendenders

Nos últimos tempos, volta e meia me vinha à mente um cineasta inicialmente talentoso e sua perda de rumo, Alejandro Amenábar. Pode ser difícil entender quando um cineasta de características notáveis se deixa levar pelo mar de putrefação da vida.

O que dizer de Wim Wenders? Nome essencial do Novo Cinema Alemão das décadas de 60 e 70, nosso amigo Wim foi descendo ladeira abaixo, atingindo resultados que podem chegar a ser realmente perturbadores. É o caso de seu mais recente trabalho, Tudo Vai Ficar Bem, em que um escritor deprimido atropela e mata uma criança, fato que marca sua vida e a do irmão do morto, também presente no ato.

Eu gosto do James Franco. Há quem não goste, mas é inegável que tem algumas belas interpretações, como a do traficante em Segurando as Pontas. É difícil entender por qual misterioso caminho  Wenders guiou o ator, fato é que James está simplesmente terrível em diversos momentos. Aliás, nenhum dos bons atores do filme consegue entregar um trabalho digno de nota. Passando por cima disso, o roteiro do filme é constrangedor. O uso de passagens do tempo chega a ser divertido: dois anos depois, quatro anos depois, dois anos depois e por aí vai. E a condução de tudo... O que dizer do horrendo/constrangedor plano final do filme?

A câmera se movimenta bastante, sem necessidade, com muitos travellings para tudo quanto é lado. O uso do travelling de aproximação com zoom é repetido diversas vezes, sempre com resultados bastante questionáveis. A trilha sonora pontua cada emoção com a maior obviedade. Tudo soa como o trabalho de um sub-sub-diretor de filme de festival.

No fim das contas, mais uma lição do mundo: ele dá voltas, e amanhã nós podemos ser o mendigo que está dormindo na calçada, como já me praguejou uma moradora de rua, descontente com minha negativa às suas investidas.

Um comentário:

  1. Nunca me senti tão leiga... Como eu invejo os especialistas, principalmente os que escrevem bem.😊

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