terça-feira, 5 de julho de 2016

O começo e o fim

Criei esse blog no dia 3 de julho, um dia antes da notícia da morte do (realmente) genial Abbas Kiarostami.

Acabei optando pelo preto completo, sem qualquer adorno, mas, antes disso, testei duas imagens no layout. A primeira era uma foto clicada por Abbas, que era (é) um grande fotógrafo. A segunda, o último plano de Cópia Fiel, seu penúltimo filme, apenas uma entre suas obras-primas. Se meu blog estampasse imagem, seria uma das suas. Mas não. Foi o preto.

Meu primeiro contato com o cinema de Kiarostami é uma espécie de mistério. Não consigo precisar a data ou obra. Lembro, sim, do primeiro filme iraniano a que assisti: O Jarro, de Ebrahim Foruzesh. Tinha entre 13 e 14 anos de idade. Foi quando descobri o cinema iraniano e, curiosamente, me vi procurando por todo material que chegava por aqui. A partir de 2003, aos 18 anos, durante a faculdade de cinema, passei a me aprofundar na obra do Abbas, que já não me era estranha.

Não saberia dimensionar a importância da obra de Kiarostami em minha vida, por mais complicado que seja para alguns de vocês entender a força que a arte pode exercer sobre humanos. Desde sempre, muito pequeno, aluguei filmes com minha mãe e fui ao cinema com meu pai, a base de tudo, mas foi nessa época dos 13 anos de idade que passei a realmente sentir o cinema de uma forma muito intensa. Lembro de sair extremamente impactado da sessão de Tempestade de Gelo, do Ang Lee. Essas primeiras vezes em que sentimos as coisas sem compreendê-las totalmente são muito especiais. Nessa época, tive a sorte de ir ao cinema semanalmente com minha tia Vera e de receber dicas de cineastas e filmes da minha professora de português Gilnara, hoje grande companheira das minhas sessões de cinema.

Desde então, muito mudou, mas nunca minha admiração por Kiarostami, que só cresceu. Sua obra tem a raríssima qualidade de aliar o intelecto e a emoção em perfeita medida. Por mais que tenha investigado e experimentado a linguagem do cinema, sempre o fez a partir do material humano e sensível, sem pompa e má pretensão. Não pretendo, aqui, tentar resumir sua obra em poucas palavras; a mídia está se ocupando dessa parte, com textos bastante insuficientes sobre sua carreira. Apenas convido a todos para procurarem por seus filmes, pela primeira ou décima vez, como eles merecem.

Difícil começar o blog assim, pelo fim, e, ainda por cima, lidando com minhas atuais limitações enquanto escritor. Criei esse blog atendendo a pedidos e, também, porque eu estou MUITO enferrujado. Sentar para escrever qualquer coisa tem sido uma tarefa difícil para mim, que sempre tive a maior facilidade. Meus problemas com exposição e autoexigência também são bastante consideráveis, e aqui pretendo trabalhá-los - sendo ridículo em um blog bastante pessoal, mal pensado e só com primeiras versões. Se alguns poucos amigos tiverem interesse na leitura, já será suficiente.

Um abraço.







Um comentário:

  1. Uma pena começar com algo assim tão triste, mas ao menos começa falando de algo que certamente vale a pena. Vamos rever! E tu vai dando as dicas!��

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